quarta-feira, 21 de março de 2012

Vida



Já perdoei erros quase imperdoáveis
Tentei substituir pessoas insubstituíveis
E quase esqueçer pessoas inesquecíveis
Já fiz coisas por impulso. 

Já me desiludi com pessoas
Que nunca pensei que me desiludiriam,
Mas também desiludi alguém.
Já abracei para proteger
Já ri quando não devia
Fiz amigos eternos
E amigos que nunca mais vi.
Amei e fui amado
Mas também fui rejeitado
Fui amado e não amei
Já gritei e saltei de tanta felicidade
Já vivi de amor e fiz promessas eternas
Já telefonei para ouvir uma voz
E apaixonei-me por um sorriso
Já pensei que fosse morrer de tantas saudades
e tive medo de perder alguem especial
... Mas vivi!
E ainda vivo!
Não passo pela vida
E também tu não devias passar!
Bom é lutar com determinação
Abraçar a vida com paixão
Perder com classe
E vencer com ousadia.
Porque o mundo pertence a quem se atreve
E a vida é muito, para ser insignificante.
VIVE!

Augusto Branco, Amazónia.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

There are some beautiful waves today






Tenho um amigo que o conheceu na Indonésia.
Ficou impressionado com a simplicidade do senhor. Poderia ser de outra maneira porventura, alguém que nasceu numa terra que se chame "Cardiff-by-the-Sea"? Julgo que não. 
Este em causa, chama-se Rob Machado. É bem conhecido do meio.


Ter um amigo que o conheceu, nessa simplicidade das ondas certas do outro lado do mundo, torna-o mais próximo. Faz de nós todos, mais humanos afinal.


Esse amigo, é também ele a serenidade em pessoa. Tem numa garagem uma oficina. Médico de pranchas, arranja tudo o que estiver partido, amolgado, rachado. Tem aquela sabedoria simples de compreender a natureza, o mar, o vento e o fundo que forma uma boa onda. Sabe ler a natureza sem precisar de ver os boletins online. Vive à beira da água.


Explora um pequeno negócio ligado a ela. Sempre que pode e que está bom... lá vai para dentro da doce e azul infinita, água do mar. Sempre que está bom, faz por poder.




Voltando ao Pro Surfer... o tal que faz por não o ser.
Conta aqui neste filme muito do que pensa da vida. "The Drifter" personifica-nos logo à partida. Machado decidiu remar de uma ilha para outra e a meio ficou demasiado cansado para continuar. Parou. Deixou-se.


À deriva percebeu o quanto todos somos pequeninos, se nos virmos em contexto. Diz o próprio que nunca se sentiu tão insignificante. E sentiu nisso, a Paz. Deixou de estar chateado.
Deixou de andar perdido, como se ganhasse consciência que não é chegar a um sítio ou estádio com que sonhamos que a vida se realiza e antes disso não vale a pena. O que sonhamos é já hoje, aqui, agora. O modo como se vive esse presente, o modo como os outros, aqueles que amamos são presente em nós, não interessa a distância. O modo como se caminha na vida, como se faz a viagem. É isso a arte da felicidade.





Assim, simples como inspirar e absorver a luz de fim da tarde à beira mar. Como se de outro maneira que não essa, andássemos perdidos, com ar carregado e atarefado, como se pressentíssemos a chegada de algum cristo que nos julga a todos se nos vir satisfeitos e sorridentes que nem crianças!


Vivemos, é certo, numa cultura que cada vez mais obriga as pessoas a trabalhar sem lhes dizer para quê, que pede sacrifícios sem que eles tenham muito a ver com melhoria, que diz que quem vive sem nada e do seu trabalho tem muitas dívidas e estamos em crise.


Numa cultura em que quem lidera só aponta coisas muito duras e muita crise e muitas más notícias e muita competição e corta feriados porque se tem de produzir (mas produzir o quê), e lixa a economia, e deprime toda a gente que se deixa deprimir... tudo para justificar que mais e mais se nos vá ao bolso. Trabalhar para deixar os filhos aos 4 meses à guarda de outros. A medicina a prolongar-nos a vida para deixarmos os nossos idosos à solidão da partida para a grande viagem. 


Este modo de vida não faz sentido. Esgota-nos. Esgota a Terra. É preciso dizer-lhe que não, que já não há paciência para ele. Ou então nem isso.


Corre, brinca, trabalha com alegria, desliza sobre a vida, sobre as ondas, sobre a neve... fá-lo com leveza, com música.... Aproveita... é a nossa insignificância com significado que nos liberta.











Voltando ao surf. Voltando a Rob Machado.
Ia o ano de 1995. Era a final de Pipeline e curiosamente, os finalistas desse evento, iam à frente no WCT que se decidiria ali, naquela final.
Ele e Kelly Slatter, os finalistas, amigos. Não se sabia muito bem o que ia ser aquilo, o que ia provocar a dois amigos que partilhavam guitarras, tempo e carros alugados no tour.


Foi tudo, menos um heat normal. Foram dois irmãos que foram surfar, apanhar ondas e divertiram-se. Só isso. Tanto.
Uma das onda que Machado estava a surfar, fê-lo cruzar-se com Slater a remar para dentro, dão um tranquilo hi5 um ao outro. Cada um vibrava com as ondas do oponente.


Foi o mais perto que Rob Machado esteve de ser campeão do mundo, pelo menos no que à ASP diz respeito.


Julgo que ele também não se preocupa muito com isso. O que o move é o dia de surf, a vida na sua essência, essa que a correria nos faz esquecer e passar tempo, dias, meses, anos sem lhe prestar atenção.


Na vida há uma estrada que todos seguimos e os desvios que nos libertam. É a frase repetida neste filme de surf que é sobre a vida afinal. A vida encontrada nos mares da Indonésia, no trabalho e nas brincadeiras com a miudagem das ilhas.


“We dream of the perfect wave, the perfect job, the perfect house……and when we get there… we dream of something else"... parece estranho isso... Como diria o poeta inglês com apelido das arábias... Vive e deixa viver, ama e deixa amar. É a curva natural que flui da vida.




As ondas melhores... são as de hoje. Ri-te para elas. Deixa-te fluir!







                                             









segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Only a surfer know's the feeling




A mítica onda da África do Sul... uma das direitas mais compridas do continente negro, com um point break que pode ser percorrido por mais de um quilómetro.

Let's keep dreaming... one day... we will surf it...

Pequeno Poema, Sebastião Gama

Quando eu nasci, ficou tudo como estava, Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais......