
Como medimos a alma?
Pelo sorriso, pelo olhar. A alma transparece na nobreza dos gestos de cada dia? Mede-se a alma pela capacidade de perdoar? E como se mede a capacidade de perdoar? Com um recipiente, cheio das desilusões que as relações humanas nos causam? Mede-se pelo florir do vaso que se rega? Mede-se pelas vitórias e derrotas alcançadas? Pelas lágrimas caídas, pelas quedas silenciosas? Mede-se pelo reerguer-se do chão, sentindo o pó das traições, num levantar lento, custoso, sem uma única palavra de pronúncio sobre a ferida aberta que lhe corre?

Como medimos a alma?
Como lhe tomamos o pulso? Como medimos o seu peso, as suas circunstâncias? Como nos medimos? Como perdoar? Como esquecer o peso das botas se a mancha lá fica? Como medimos o tamanho da alma? Pela nobreza? Pela coragem? Pelo perdão? pelo silêncio? Pela côr da espada, pela flor no canto da boca, mal me quer, bem me quer...
Como medimos a alma? é pela intensidade, é pela corrida a fundo no minuto que não é mais um apenas... mas sessenta segundos bem medidos, é pelo passo, salto no escuro, que se dá para fora com confiança e muito medo, mas dá-se, é pela entrega, é pela força que subsiste além do cansaço e do desapego, é pelo momento em que tudo esquecemos e nos falha a memória, nesse instante em que o tempo nos pára, mas por fora continua...
é pela medida da eternidade, fora do tempo, fora do espaço. A alma não tem sítio, lugar ou hora. Ela é... e por isso não se mede, mas mede-se.
Só não sei é como...