Somos profetas de um futuro que não nos pertence | Óscar Romero.



Las Flores, El Salvador

“De vez em quando dar um passo atrás ou mesmo à frente, ajuda-nos a tomar uma perspectiva melhor, mais geral, do todo.
A vida não está apenas no mais além do nosso esforço, está também no mais além da nossa visão, do nosso olhar.
Durante a vida, fazemos uma parte pequena desta magnífica empresa que é a obra de Deus. Nada do que fazemos está acabado, o que significa que a vida, e o caminho que nela peregrinamos, está sempre à nossa frente.
Nenhuma declaração diz tudo que se podia dizer.
Nenhuma oração expressa plenamente a nossa fé.
Nenhuma confissão traz a perfeição.
Nenhuma decisão traz sozinha a integridade.
Nenhum plano de metas e objetivos inclui tudo.
Nenhuma onda é o pleno, podíamos ter dado mais, podíamos ter feito mais uma manobra, mais um segundo dentro do tubo.

Isto é o que tentamos fazer: plantamos sementes que um dia crescerão.
Regamos sementes já plantadas, sabendo que são promessas de futuro. Assentamos bases que necessitarão um maior desenvolvimento.
Os efeitos da levedura que proporcionamos vão mais além que as nossas possibilidades.
Surfamos ondas uma última vez, só mais uma, dez vezes.. e há sempre mais uma.

Não podemos fazer tudo, não podemos caminhar tudo, não podemos surfar tudo.
Por vezes o Amor tem esta forma de silêncio.

Las Flores, El Salvador. photo: Zak Noyle. SurferMag

Não podemos fazer tudo e ao percebermos isso,  há uma certa liberdade, que nos capacita a fazer alguma coisa e a fazê-la muito bem. Pode não ser completa, mas é o princípio, um passo no caminho, o primeiro, ou mesmo o segundo ou o terceiro, uma oportunidade para que no mundo entre a Graça, de Deus, e ela faça o resto.

É possível que não vejamos nunca os resultados finais, mas essa é a diferença entre o Arquitecto e o trabalhador.
Somos profetas de um futuro que não nos pertence, peregrinos de um caminho que não sabemos ou imaginamos onde termina.
Tudo o que sou é tão maior e mais bonito em caminho.
Cada passo, é cada passo. Somos peregrinos neste mundo.”

D. Óscar Romero, bispo de El Salvador.

[texto adaptado | english version of the poem here]


Las Flores, El Salvador.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Follow the Sun..

Seguir o sol é uma figura de estilo, mas vale a pena parar de vez em quando e pensar que andamos muito preocupados com coisas que afinal, são, figuras de estilo apenas.
Os pássaros do céu e os lírios do campo, dizia um texto de 2000 anos que se vestem como nem Salomão se vestiu .... e o sol.. de vez em quando, seguir o sol. sem figuras para estilo.

Bom verão aos do norte.
Boas monções aos do sul.




sábado, 21 de junho de 2014

just passing trough



Estamos de passagem, todos...
Convém não esquecer isso nunca.

Ao longo da ainda curta vida, tenho visto, trabalhado e estudado algumas coisas sempre à sombra de uma certa ideia e de um certo conceito de Justiça.

Materializa-se agora e vou percebendo que toda a pobreza nasce do desequilíbrio, aquela extrema de mais além fronteiras e a outra, do lado de cá, com origens diferentes, mas semelhantes nos processos. Alguém quer muito, o muito, e consegue-o à custa de o tirar ou de o ganhar por outros que, têm menos, de menos. Capitais, são os recursos, são as vidas, a força de trabalho, de fazer, de produção e de consumo.

Constante na economia, na Política, não a que se estuda, mas que se observa, mais uma vez, a diferentes latitudes... forças que andam à pancada e as que têm capital, vão sendo invariavelmente mais fortes.. vão sendo, apenas isso: ir sendo.

Uns com tanto, outros com tão pouco, lugar comum de imagens deste e de outros continentes que nos passam pelos olhos da memória e tantos nomes que vamos carregando, quanto mais vemos e vivemos com os outros em determinados hemisférios, geográficos, mas também humanos.

Há uma ideia que me tranquiliza a angústia dessas coisas que estão mal, de gente explorada no trabalho, de crianças que dormem na rua, e de outros, menos, significativamente menos, que têm e acumulam tanto, nunca lhes chegando o que já têm, porque ficam vazios. Coisas não enchem a alma de ninguém... coisas, coisas, coisas... 

Tranquiliza-me saber que todos, todos estamos apenas de passagem. Nisso há justiça,  e nesse horizonte trabalhamo-la, à justiça e sobretudo, à liberdade.

O mundo está, definitivamente a melhorar, porque essa é a lei do equilíbrio. Que não se duvide. Os que exploram, não ficarão com mais que os explorados.

Não há gota de água no mar que não se mexa para preencher espaços vazios mais baixos. Tão certo como haver marés, tão certo como haver essa tal força de equilíbrio.

Uma onda forma-se nessa magia matemática. Várias forças que se juntam e conjugam, trabalham em equipa para o equilíbrio. O vento, as correntes, as marés, a morfologia do fundo do mar, dos fundos da praia, tudo isso contribui para uma força inexorável e certa de equilíbrio... são gotas de água, também juntas a irem para o sítio certo.

A onda perfeita, o processo.

Onde há excesso, ele acaba sempre, em última análise, a ir para onde falta. Pode não se ver em uma geração, mas se formos arqueólogos no olhar, vamos perceber que o tempo testemunha isso mesmo. Tão certo, tão justo.

#MakePovertyHistory.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Planet Ocean

quinta-feira, 5 de junho de 2014

 
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