Há onze anos...



Há onze anos mudei o mundo... o meu mundo.

Era também uma quarta feira, por volta do meio dia e meio.
Eu era um rapaz assustado, a ir para longe de 'casa', do mundo que eu conhecia e de mim como me conhecia.
Ia com muito medo, com muitos sonhos para cumprir, com os olhos muito abertos à procura de mim.


Onze anos e parece que foi ontem que andei à chuva e comecei tudo de novo.
Mas desta vez tinha num dos bolsos tudo aquilo que tinha aprendido, no outro, tudo o que tinha sonhado.

Obrigado Seminário!

Hope is a good thing.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Líquido Mágico




foto: a primeira vez em Ribeira d'Ilhas, Abril de 2009.


Para uns é salgada, para outros é sagrada.

As coisas são relativas. Não uma relatividade que possa colocar tudo em causa, o bem, o mal, o belo, o feio, o que se gosta e o que não se gosta.

Há delas, as 'coisas' que não são relativas, valores, conceitos, convenções que se acordam e concordam [(de relativas passam a ser absolutas: sejam os acordos entre a humanidade e a humanidade, seja entre a humanidade e Deus, seja entre a humanidade e a natureza (a lista continua em todas as variantes possíveis!)]...

Mas tanto no mundo muda conforme o olhar com que se vê!


É por isso que não podemos julgar as coisas, os outros. Não podemos, com absoluteza, catalogar, emprateleirar, definir... porque cada gesto destes será sempre redutor.

É dificil é certo, ao ser humano temente do que desconhece, não julgar ou catalogar, não formular ideia ou opinião disto ou daquilo. Vivemos de referências e temos medo do desconhecido. Por isso julgamos, catalogamos, emprateleiramos. Para pensarmos que conhecêmos.

É preciso estar-se bem consigo próprio para não o fazer, para não dizer mal disto ou daquilo ou dos outros. Dizer mal, destrói, absolutiza, quase que fecha o assunto. Já fazer o mesmo mas para o bem - estranho, mas verdade - abre portas, abre perspectivas nunca fechadas e nunca conclusivas. Dizer mal, carimba um embrulho fechado. Dizer bem, abre um embrulho com laço bonito.

É preciso estar-se bem consigo próprio, estar-se livre, como quem caminha pela rua fora de mãos nos bolsos e os lados do casaco estendidos para trás, quase a planar cinco milímetros acima do chão.

É preciso estar-se bem consigo próprio para não catalogar uma água gelada, com ondas barulhas e grandes, num chão escondido de pedra e ouriços afiados que só não querem ser pisados.

É preciso estar-se bem consigo próprio para arriscar, para não julgar quando o líquido nos atira enrolados para dentro de si e a nadarmos tanto quanto podemos para cima, ele não nos deixa vir cá beber ar à superfície.

É preciso estar-se bem, ser-se livre para se enfiar, sabendo que se pode ir contra as rochas e sem querer, aprender para que servem as meias de surf e porque têm elas os dedos do pé recortados*.

É preciso viver-se, assim com cara aberta para o bem, sendo tolerante com os que te olham e dizem que és maluco porque vais para dentro da água gelada, barulha, salgada, com rochas no fundo, com ouriço do mar que só não querem ser pisados....

Eles não sabem que é água sagrada, Não sabem o que um líquido faz a uma pessoa... o líquido mágico, ou salgado, ou sagrado, ou nada disto! Depende do ponto de vista que se julga.

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*pensava eu que as meias serviam para proteger do frio. Há pouco tempo descobri que é também para proteger das arestas das rochas que não se vêem debaixo de água... quanto aos ouriços, ainda temos que aguentar com eles (ou eles connosco), ou talvez um dia descubra umas "botas" de surf que sirvam para isso!


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Escoliadas 2009



A vida de professor, tem disto...

Trabalha-se além das salas de aula, alguns dias, madrugada dentro a preparar coisas, outros madrugada dentro a fazer as coisas. Na escola ou fora dela, preenchem-se números sem fim de papéis, chama-se à atenção quando custa, apontam-se caminhos quando não sabemos onde estamos ou para onde vamos, mas caminhamos com eles...

Mas no fim de tudo, sonham-se limites e ultrapassamo-los porque melhor do que cumprir os nossos sonhos, é ajudar os outros a cumprirem os seus!

E é por isso é que vale a pena ser professor.

domingo, 26 de abril de 2009

Os sonhos da tua infância...

Ontem participei na última sessão de uma acção de formação que valeu como se de uma daquelas aulas em que saímos de lá cheios, ou uma daquelas surfadas de início de primavera em que nos fartámos de apanhar ondas e ficamos tão cheios de vida que nem comer precisamos?

O formador da sessão era uma daquelas pessoas que não se consegue não admirar por todo o percurso de vida que fez e está a fazer... Cheio de altos e baixos, cheios de coragem nunca com acomodações, cheio de remadas contra a maré e sempre sempre, cheio de uma paz interior que transparece no olhar daqueles que vão em busca dos sonhos, sejam eles fáceis ou difíceis! Não é isso o medidor da sua grandeza.

E é preciso termos a alma limpa para admirar os outros.

Tive a sorte de me ter dado a conhecer um senhor que se chamou Randy Pausch.

No mundo académico nos EUA há o hábito de, quando em vez... um professor ser convidado para dar uma aula, como se fosse a sua última aula. Dizer ao mundo tudo aquilo que tinha para dizer.


A alguns meses do fim da sua vida, este Randy Pausch, devido a um cancro do pâncreas,  deu mesmo a sua última aula, sobretudo a pensar naquilo que todos os pais ensinam aos seus filhos mas que ele não virá a poder fazer. Com três filhos de menos de 5 anos, e pensando que nenhum deles se lembrará do pai quando crescer, tirou tempo para dar esta aula.. para eles daqui a uns anos saberem quem era e como era os pais, quais os valores e os princípios que o nortearam nesta vida. 


Deixou isto gravado... vale a pena parar para ouvir.


domingo, 5 de abril de 2009

 
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