terça-feira, 23 de agosto de 2011

A magia das ondas em África...



As ondas e o fascínio do deserto

"Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo…
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo a Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima…
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor—
Tu não me tiraste a Natureza…
Tu mudaste a Natureza…
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou."

Alberto Caeiro

J-Bay, África do Sul (Grant Ellis)

sábado, 6 de agosto de 2011

No país das esquerdas...







Vivemos na terra das direitas. A orientação da costa, das correntes e dos ventos fazem essas ondas predominar. Quando estão certinhas, partem todas para a direita, salvo raras e honrosas excepções.

Um dia gostava de surfar em condições uma onda, que pudesse olhar para ela de frente. Acho que evoluiria mais rapidamente...!

Nestas paragens isso não acontece, mas em breve talvez haja uma praia como estas, num secret spot inabitado, com esquerdas para todos os gostos, compridas, intocadas pelo desenvolvimento de betão...

Esta imagem é em África... algures a sul do Sahara... o que nos faz sonhar ainda mais.

Boas ondas.


sábado, 23 de julho de 2011

A mística do surf com o Saca e o Pedro Adão e Silva

A Surf Portugal desde que me lembro de a ler, aí pelos meus catorze anitos, sempre teve uma ou duas páginas que devorava assim que podia. Algumas coleccionava mesmo.

Uma era o "Pulsar das Marés", de um rapaz que se chamava Gonçalo Cadilhe. Escrevia com alma e sentido, contava histórias com caminho. Escrevia da vida que vivia e das vidas que testemunhava. Foi ao tempo, uma inspiração. Nos dias que correm, de "hotel em hotel até ao restaurante final" (expressão que ouvi da boca de um editor), já escreve corrido, cheio de lugares comuns e até já guias de viagem em formas muito coloridas escreve. Tenho saudades daquela escrita densa, que nos fazia pensar. E conseguir isso em escrita de viagem, por natureza uma escrita tão seca e descritiva... é obra.

Hoje tenho de novo uma referência na Surf Portugal. A rúbrica de Pedro Adão e Silva que se chama "Sal da Terra". Já publicou um livro com o mesmo nome que recolhe estes textos, ele ateu, escolhe para prefaciador o padre poeta Tolentino de Mendonça.

É um exemplo do exemplo conhecido, que o Professor Jalali nos dizia por vezes, "da faísca do confronto, se chega à luz que ilumina".
Quando se encontra gente boa, mesmo que diferentes, esse é o único desfecho.

Há muita empatia com este escritor. Gosto do nome próprio! :-)
Gosto das ideias e pontos de vista políticos que ouço na TSF e leio no Expresso. Gosto das ideias e soluções de políticas sociais.

Depois há aquela empatia que se tem por uma pessoa que é professor no ISCTE ou em qualquer ISQualquer, mas que também é surfista e vê o surf como um estado de espírito, uma comunhão com a vida, com o mar e tudo o que é criado, com o respeito próprio que se lhe tem, a par com a contemplação intrinseca do que é vida, a vida no mar e a vida do mar. Acredtio que não veja o surf tanto como um desporto normal, com campeonatos e competições (que é coisa que pouco me interessa e que a Surf Portugal cada vez mais tem, mas compenso com a leitura da SOUP SURFERS MAGAZINE... a melhor revista de surf no momento, que desde a primeira à última página se respira o spirit).

Este texto, da SP 222 diz-me muito sobre o surf, sobre a vida, sobre o momento político, educativo, associativo do nosso país e do mundo.

É isto que quero dizer e mostrar aos meus filhos e é mesmo isto que temos de ser, como o Saca e como o Adão, o Pedro Adão e Silva.

Boas leituras...

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Há que honrar aqueles miúdos...

all pictures from: www.timmckennaphotography.com


Eram dois miúdos aí dos seus doze, treze anos. Nunca tinham surfado, nem conheciam nenhum surfista e no tempo em que tinham essa idade não havia como há agora a imensidão de escolas de surf. Tudo o que tinham era um quiosque no centro da cidade e o dono que os deixava folhear as revistas de surf porque não havia dinheiro para elas.
Uma vez conseguiram juntar algumas moedas e deu para comprar uma. Era do Brasil. Tinha meio ano de atraso.
Nas páginas de dentro tinha um texto que se chamava “Qual é a sua missão”. Umas páginas à frente tinha uma reportagem da vida do Pedro “Águia” Muller.
Para os miúdos aqueles minutos no quiosque (e finalmente quando conseguiram comprar uma revista) eram o seu êxodo, como se fossem para outro patamar de liberdade e pudessem ter mais de perto o sonho de conhecerem um dia algum surfista, eles próprios a caminharem sobre as águas.
Era essa a sensação deles. Sem saírem do lugar de sonhos onde estavam, sonhavam ainda mais, sentiam-se o Moisés a sair de um sítio e a entrar noutro. O mar abria-se, como lá diz o livro do Êxodo.
Era como se descobrissem um novo mar – o surf.
Como qualquer êxodo com classe, seja ele do Moisés ou do Marley, estas histórias são histórias de liberdade: uma força que nos impulsiona a remar, a levar com ondas na cabeça até chegar ao point break.



Como qualquer êxodo com classe, somos levados para a liberdade. E esta história de liberdade daqueles dois garotos começa a responder àquela história do artigo no início que tinha por título “qual é a sua missão”.
Era a isso que eles estavam a responder.
Decidiram poupar dinheiro para comprar a sua fuga. Depois de muito tempo, juntaram seis contos cada um e, a meias, compraram uma prancha em segunda mão que o homem da loja lhes tinha dito que tinha pertencido a um campeão nacional. Eles não faziam ideia de quem era o campeão, mas mesmo assim aquela era a ponte para a eternidade. Baptizaram-na de Rosa Maria, em homenagem às mães e depois, a cada Domingo, às sete horas da madrugada lá iam numa velha carrinha Canter do pai de um deles virados à praia, cheios de frio em cada um dos poros.
Era o seu êxodo tornado realidade. Entravam na água, cada um à vez, de calções e t-shirt para dar a impressão que eram surfistas a sério. Não havia dinheiro para o fato nesse tempo, nem havia escolas onde os alugar.
Aprendiam com a luta, o mar levava-os e trazia-os, abria-se e fechava-se, rebentava-lhes na cabeça, mas os garotos sempre a acreditar que aquilo era um caminho para a Liberdade – um êxodo ou uma missão por assim dizer.
O Pedro “Águia” Muller dizia isso na entrevista da revista que tinham comprado. Teve algumas lesões, mas atirava-se.
Um dia casou e a mulher da sua vida faleceu com o nascimento do primeiro filho. Foi a maior lesão da vida. O mundo desabou-lhe em cima, mas qual fénix reergueu-se das cinzas e foi à luta, fazer da vida uma história bonita de fugas para a frente e para trás, para os lados, nunca deixando que o medo o paralisasse.
É preciso coragem para isto. É preciso medo também, daquele que nos mete os pêlos em cima e nos faz sentir vivos, mas que nunca nos consegue paralisar, porque há uma vontade que lhe é maior.
Talvez fosse isso que lhes dava pica, aos garotos, de manhãs frias de Inverno fugirem por momentos da vida e se fazerem à estrada, de tentarem sem parar de aprender a caminhar sobre a água.
Sei que agora são graúdos, não são campeões mas colocam-se de pé e estão lá o tempo suficiente para perceber a magia de ver o mundo daquela perspectiva, drop abaixo, para a esquerda ou para a direita, dentro de tubos ou fora deles, com mais ou menos técnica.

Sei que os garotos ainda hoje quando acaba a onda e mergulham, ou mesmo quando é a onda a acabar com eles e os atira para o mergulho, aqueles segundos que passam debaixo de água a suster a respiração, os passam a sorrir, já de fato de surf de uma marca qualquer, nunca se esqueceram dos garotos que foram e de que para fugir, da rotina ou do quotidiano basta viver como se o fizessem na água.
Seja nalguma surf trip para longe, seja com a prancha partida ou os pés enchouriçados de espetos dos ouriços do mar, seja na surfada antes do dia de trabalho, ou na corrida das ondas ao fim dele, os garotos sorriem sempre porque são livres como eram os miúdos que sonhavam sê-lo há muitos anos atrás na banca daquele quiosque no centro da cidade.
A mim resta-me parar de escrever agora, e ter consciência do privilégio que isso é, mais do que isso é levantar-me e fazer o meu Êxodo, todos os dias, a cada dia: pegar na prancha e mandar-me às ondas... as do mar, e as da vida.
Há que honrar aqueles miúdos...


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* texto dedicado a Paulo Fontes, um dos miúdos...


segunda-feira, 4 de julho de 2011

13 atitudes para o teu bem



1. Por mais que te falem de tristeza...

CONTINUA A SORRIR!

2. Por mais que te demonstrem rancor...

CONTINUA A PERDOAR!

3. Por mais que te tragam decepções...

CONTINUA A CONFIAR!

4. Por mais que te ameacem de fracassos...

CONTINUA A APOSTAR NA VITÓRIA!

5. Por mais que te apontem erros...

CONTINUA COM OS TEUS ACERTOS!

6. Por mais que discursem

sobre a ingratidão...

CONTINUA A AJUDAR E APOIAR!

7. Por mais que falem da miséria...

CONTINUA A ACREDITAR NA PROSPERIDADE!

8. Por mais que te mostrem destruições...

CONTINUA A CONSTRUÇÃO!

9 . Por mais que te acenem doenças...

CONTINUA A VIBRAR SAÚDE!

10. Por mais que exibam

ignorância...

CONTINUA A USAR A TUA INTELIGÊNCIA!

11. Por mais que te assustem com a velhice...

CONTINUA A SENTIR-TE JOVEM, A APRECIAR CADA IDADE!

12. Por mais que plantem o mal...

CONTINUA A SEMEAR O BEM!

13. Por mais que te contem mentiras...

CONTINUA FIRME NA VERDADE!

Continua sempre... a mergulhar na Vida.


© Alana Blanchard

sábado, 25 de junho de 2011

Parceria na água..








Todo surfista já teve ou tem o seu parceiro de surf.

A maioria tem aquele companheiro inseparável, que está sempre junto nas roubadas em trips, dividindo mares épicos, nas vitórias e derrotas das competições e da vida, além de dividir o cotidiano do freesurf no quintal de casa.

Essa irmandade é necessária na vida de um surfista, que cresce junto e evolui, puxandos os limites um do outro.

Na última semana, encontrei quatro 'brothers' que arrebentam em suas categorias e têm muitas coisas em comum, além da amizade leal e o surf de alta performance. Eles adoram voar!

Alex Ribeiro e Flavio Nakagima se conhecem desde pequenos e cresceram surfando na Praia Grande, no litoral sul. Evoluíram juntos e destacaram-se no surf brasileiro pelo alto-nível competitivo. Ambos são goofy footers, surfam de frente pra esquerda e treinam diariamente.

Surfar forte é o dever de casa ou seria fissura mesmo?

Nas praias do Guarujá, eles encontram seu principal campo de treinamentos, onde dispõem de preparador fisico e acompanhamento psicológico profissional direcionado às competições.

Eles seguem felizes no seu cotidiano, pilotam a ágil motinho no intenso trânsito da Baixada Santista, encurtando a distância entre Praia Grande e Guarujá quando as ondas do quintal de casa não rendem.

A praia do Tombo acolhe uma grande quantidade de profissionais e amadores, de todos os cantos da Baixada e do Brasil. A regularidade e consistência trazem resultados visíveis para quem pretende surfar bem em ondas com fundo de areia.

Rodrigo Generick e Ícaro Rodrigues vieram de uma outra escola, dos aéreos. Aos seis anos, Generick ensaiava no canto do Maluf seus primeiros treinos ao lado de Adriano 'Mineirinho' de Souza.

Aos 12, Ícaro começava a remar em frente ao palanque do Tombo, dividindo o line up com os melhores surfistas da ilha e do surf brasileiro - que viviam arrebentando por ali.

Ambos moravam em Itapema, cidade vizinha ao Guarujá, e juntos se inspiravam nos melhores aerialistas do mundo.

Seguindo essa linha vanguardista, hoje eles estão entre os mais ousados free surfers da ilha e vão fundo na difícil arte de controlar a prancha sob os pés.

Enquanto voam alto dominando a força da gravidade, usam como armas secretas a incansável criatividade para manterem-se na vanguarda.

Uma lição fica para os amigos do peito e das ondas. Conquistar o mundo é muito mais fácil quando se tem amizades verdadeiras.

in: Revista FLUIR

quinta-feira, 23 de junho de 2011

YES, WE CAN... Hang Loose*


Por ter visto no interessante blog Namoro com um surfista, e agora?
Não resisto à partilha e ao consequente fundamento de porque acho o presidente Obama o mais cool de todos os políticos... aqui está:





* Sim, nós podemos... manter-nos livres (hang loose)

Pequeno Poema, Sebastião Gama

Quando eu nasci, ficou tudo como estava, Nem homens cortaram veias, nem o Sol escureceu, nem houve Estrelas a mais......