O Líquido Mágico




foto: a primeira vez em Ribeira d'Ilhas, Abril de 2009.


Para uns é salgada, para outros é sagrada.

As coisas são relativas. Não uma relatividade que possa colocar tudo em causa, o bem, o mal, o belo, o feio, o que se gosta e o que não se gosta.

Há delas, as 'coisas' que não são relativas, valores, conceitos, convenções que se acordam e concordam [(de relativas passam a ser absolutas: sejam os acordos entre a humanidade e a humanidade, seja entre a humanidade e Deus, seja entre a humanidade e a natureza (a lista continua em todas as variantes possíveis!)]...

Mas tanto no mundo muda conforme o olhar com que se vê!


É por isso que não podemos julgar as coisas, os outros. Não podemos, com absoluteza, catalogar, emprateleirar, definir... porque cada gesto destes será sempre redutor.

É dificil é certo, ao ser humano temente do que desconhece, não julgar ou catalogar, não formular ideia ou opinião disto ou daquilo. Vivemos de referências e temos medo do desconhecido. Por isso julgamos, catalogamos, emprateleiramos. Para pensarmos que conhecêmos.

É preciso estar-se bem consigo próprio para não o fazer, para não dizer mal disto ou daquilo ou dos outros. Dizer mal, destrói, absolutiza, quase que fecha o assunto. Já fazer o mesmo mas para o bem - estranho, mas verdade - abre portas, abre perspectivas nunca fechadas e nunca conclusivas. Dizer mal, carimba um embrulho fechado. Dizer bem, abre um embrulho com laço bonito.

É preciso estar-se bem consigo próprio, estar-se livre, como quem caminha pela rua fora de mãos nos bolsos e os lados do casaco estendidos para trás, quase a planar cinco milímetros acima do chão.

É preciso estar-se bem consigo próprio para não catalogar uma água gelada, com ondas barulhas e grandes, num chão escondido de pedra e ouriços afiados que só não querem ser pisados.

É preciso estar-se bem consigo próprio para arriscar, para não julgar quando o líquido nos atira enrolados para dentro de si e a nadarmos tanto quanto podemos para cima, ele não nos deixa vir cá beber ar à superfície.

É preciso estar-se bem, ser-se livre para se enfiar, sabendo que se pode ir contra as rochas e sem querer, aprender para que servem as meias de surf e porque têm elas os dedos do pé recortados*.

É preciso viver-se, assim com cara aberta para o bem, sendo tolerante com os que te olham e dizem que és maluco porque vais para dentro da água gelada, barulha, salgada, com rochas no fundo, com ouriço do mar que só não querem ser pisados....

Eles não sabem que é água sagrada, Não sabem o que um líquido faz a uma pessoa... o líquido mágico, ou salgado, ou sagrado, ou nada disto! Depende do ponto de vista que se julga.

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*pensava eu que as meias serviam para proteger do frio. Há pouco tempo descobri que é também para proteger das arestas das rochas que não se vêem debaixo de água... quanto aos ouriços, ainda temos que aguentar com eles (ou eles connosco), ou talvez um dia descubra umas "botas" de surf que sirvam para isso!


segunda-feira, 27 de abril de 2009

1 Comment:

Anónimo said...

Às vezes precisamos de afogar...
Às vezes precisamos de ter sede...
Às vezes precisamos de cair...
Às vezes temos mesmo de morrer!
E depois... depois,subitamente, nasce o que morreu dentro de nós!
Renascemos pois para uma nova vida, um novo projecto, uma onda , um batimento, um pulsar,renascemos para um novo começo...renascemos com vontade de mudar, de estarmos abertos e ter vontade de aceitar e de mudar!
E é tão bom quando estamos sós, nos sentirmos acompanhados!
Sentir que nada foi em vão que tudo tem uma razão de ser...
Feliz é aquele que se encontra! ;-)

 
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